REP BOX — El Niño: atualizações | 18/08/2026

Gestão de risco
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Dois estudos publicados esta semana apontam que o episódio de 2026-2027 pode antecipar em até dez anos o clima esperado para 2037 e reforça o risco de grandes enchentes no último trimestre. Enquanto isso, o Brasil oscilou entre 40°C no Centro-Oeste e geada no Sul — e uma das maiores massas de ar frio do ano chega no fim de semana.

Nesta edição, reunimos os dois alertas científicos mais relevantes da semana sobre o El Niño, o cenário de calor extremo que domina o país agora, a massa de ar frio que vem por aí, e a previsão por região para os próximos dias.

El Niño: os dois alertas científicos da semana

O indicador atmosférico bateu o recorde histórico

Em 14 de agosto, a MetSul Meteorologia publicou uma análise assinada pela meteorologista Estael Sias e pelo meteorologista Luiz Nachtigall sobre um dado que passou quase despercebido fora do meio técnico: o Índice de Oscilação Sul (SOI), o principal indicador atmosférico do El Niño, registrou a média de -29,1, o valor mais negativo já registrado para um mês de julho segundo o Bureau of Meteorology da Austrália.

Para entender o que isso significa: o SOI mede a diferença de pressão atmosférica entre o Taiti e Darwin, na Austrália. Quanto mais negativo, mais intensa é a assinatura atmosférica do El Niño. O limiar técnico para o fenômeno é -7. Um valor de -29,1 está próximo do extremo inferior de toda a escala histórica, que vai de -35 a +35.

O aspecto mais relevante para quem gerencia risco não é o número em si. É o que ele indica sobre o que vem a seguir. Avaliações anteriores da MetSul mostraram que grandes picos negativos do SOI produzem impactos intensificados na chuva do Sul do Brasil três a quatro meses depois. Com SOI recorde aponta para outubro e novembro como período de risco elevado de enchentes de maior proporção.

Leia a análise completa da MetSul

O El Niño pode antecipar em uma década o clima do futuro

No mesmo dia, a MetSul publicou uma segunda análise baseada em estudo do cientista climático Zeke Hausfather, citado pelo Washington Post: o El Niño excepcional de 2026-2027 pode fazer o planeta experimentar temporariamente temperaturas globais que, seguindo apenas a tendência de aquecimento atual, só seriam esperadas por volta de 2037. A probabilidade de 2027 ser o ano mais quente já registrado é de aproximadamente 95%, segundo Hausfather. A temperatura média global poderia alcançar cerca de 1,76°C acima do período pré-industrial.

O mecanismo é técnico, mas a consequência prática é direta: um planeta mais quente armazena mais vapor d'água na atmosfera, o que amplia o potencial de precipitação extrema. A fórmula de Clausius-Clapeyron indica que a capacidade do ar de reter vapor aumenta aproximadamente 7% para cada grau Celsius de aquecimento. Em 2027, com temperaturas excepcionalmente elevadas, o risco de episódios de chuva extrema em determinadas regiões cresce na mesma proporção.

Leia a análise completa da MetSul

O Brasil esta semana: 40°C e geada no mesmo país

Bolha de calor domina o Centro e já avança para o Sul

Nesta segunda-feira (17), uma bolha de calor centrada entre o Paraguai e o Centro-Oeste brasileiro manteve temperaturas de 40,4°C em Santo Antônio do Leverger (MT), 40,2°C em Cuiabá, 39,9°C em Corumbá (MS) e 37,7°C em Aragarças (GO), segundo estações do INMET analisadas pela MetSul. No Rio Grande do Sul, 117 municípios registraram máximas acima de 30°C, 11 deles superaram 35°C, e o interior gaúcho chegou a 36°C.

A MetSul projeta que o calor deve se intensificar ainda mais nos próximos dias, com máximas de 40°C a 42°C possíveis em pontos de Mato Grosso, Goiás, Tocantins e Mato Grosso do Sul antes da chegada da frente fria.

Leia na MetSul: Bolha de calor ganha força no Centro do Brasil

O que vem por aí: uma das maiores massas de ar frio do ano

Chegada prevista para sexta-feira, com pico no fim de semana

A MetSul alertou nesta segunda que uma forte massa de ar frio tem data para chegar ao Brasil — e pode ser uma das mais intensas do ano. O processo começa na quinta-feira (20), com a formação de uma área de baixa pressão entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul convertendo uma frente semi-estacionária em frente fria. Na sexta (21), um primeiro bolsão de ar frio derruba as temperaturas no Sul. No sábado (22), chega a segunda incursão, muito mais forte e ampla, que dará início a vários dias de temperaturas baixas com possível onda de frio.

Sul: pico de frio entre domingo (23) e segunda (24). Rio Grande do Sul com esmagadora maioria das cidades entre 0°C e 5°C de mínima. Em altitudes elevadas da Serra, Campos de Cima da Serra e Planalto Sul Catarinense, há possibilidade de marcas entre -5°C e -7°C. Porto Alegre pode ter mínimas de 5°C a 7°C nas madrugadas de domingo a terça.

Sudeste: queda significativa de temperatura em SP, RJ, MG e ES. Em São Paulo, mínimas de 10°C a 11°C possíveis mesmo com chuva e nebulosidade. Serra do Mar com risco de precipitação excessiva pela combinação de vento úmido e frio com o relevo.

Centro-Oeste: encerramento do período de calor intenso, com queda mais expressiva no MS e no Sul de GO.

Leia na MetSul: Ar frio que pode ser um das mais fortes do ano tem data para chegar

Previsão por região — esta semana

Sul: calor até quinta-feira, com virada na quinta à noite. Frente fria chega sexta, seguida da massa de ar frio intensa no fim de semana. Risco de chuva com granizo isolado na passagem da frente. Semana começa muito fria.

Sudeste: calor persistente hoje e amanhã no interior. A partir de quinta, chuva avança pelo RJ, ES e partes de SP e MG com a chegada da frente fria. Queda de temperatura mais expressiva no fim de semana.

Centro-Oeste: calor extremo até quinta-feira, com máximas possíveis acima de 40°C em MT, GO e TO. Chuva escassa até a chegada da frente. A massa de ar frio chega com menor intensidade, mas encerra o período de bolha de calor.

Norte e Nordeste: sem mudanças expressivas. Chuva localizada em partes da Amazônia e nos litorais da PB e RN. Interior nordestino seco.

Veja a previsão de chuva completa para o Brasil nesta semana

Radar de Riscos

1. SOI de julho bateu recorde histórico — risco de enchentes para outubro e novembro (MetSul Meteorologia, 14/08/2026)

O Índice de Oscilação Sul registrou -29,1 em julho, o valor mais negativo já observado para o mês. Avaliações históricas da MetSul mostram impacto intensificado na chuva do Sul do Brasil três a quatro meses após picos negativos do SOI. O que isso significa para quem gerencia risco: outubro e novembro concentram o maior risco de enchentes de maior proporção no ciclo atual. Empresas com operações em bacias hidrográficas do Sul do Brasil que ainda não revisaram cobertura patrimonial e de interrupção de negócios estão operando com parâmetros históricos que não refletem o sinal atual.

2. El Niño pode antecipar em uma década o clima esperado para 2037 (MetSul Meteorologia / Zeke Hausfather / Berkeley Earth, 14/08/2026)

A probabilidade de 2027 ser o ano mais quente já registrado é de aproximadamente 95%. Um planeta mais quente retém mais vapor d'água: 7% a mais por grau Celsius de aquecimento. O que isso significa: a intensidade dos eventos de precipitação extrema em 2026-2027 pode superar qualquer referência histórica disponível para dimensionamento de apólice. Parâmetros de projeto, sublimites de alagamento e períodos de indenização calibrados sobre o histórico dos últimos 20 anos podem ser insuficientes para o ciclo que está em curso.

3. Bolha de calor com 40°C no Centro-Oeste antecede massa de ar frio intensa (MetSul Meteorologia, 17/08/2026)

O contraste extremo entre o calor atual e o frio que chega no fim de semana ilustra o padrão de variabilidade que caracteriza o El Niño em sua fase de intensificação. O que isso significa: operações que dependem de condições meteorológicas estáveis para logística, agro e energia enfrentam janelas de interrupção mais frequentes e mais imprevisíveis. A gestão de risco climático deixou de ser planejamento de médio prazo e passou a ser gestão operacional de curto prazo.

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Aqui na REP

A gravação do REP Talks | Super El Niño 2026, realizado em 8 de julho, segue disponível. Os dois estudos publicados esta semana pela MetSul, sobre o recorde do SOI e sobre a antecipação do clima de 2037, aprofundam tecnicamente o que Estael Sias já havia sinalizado ao vivo no evento: o fenômeno ainda não chegou ao pico, e o segundo semestre será mais intenso do que o que foi visto até aqui.

Assistir à gravação