REP BOX — El Niño: atualizações | 26/08/2026

Gestão de risco
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A chance de o El Niño de 2026-2027 se tornar o mais intenso de que se tem registro superou 90%, segundo a agência climática dos EUA. O Pará decretou alerta climático preventivo. O RS enfrenta alerta de chuva de até 300 mm até o fim do mês. E hoje, uma inundação catastrófica varreu vilarejos no Nepal — com imagens que lembram Brumadinho e Mariana.

O pico do fenômeno ainda está previsto entre outubro e dezembro. O que está acontecendo agora é o aquecimento antes do pico.

El Niño: o que mudou nesta semana

A chance de ser o mais forte da história passou de 90%

A agência climática dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 90% a probabilidade de que o El Niño de 2026-2027 atinja a categoria "muito forte" entre outubro e dezembro. As temperaturas diárias da superfície do mar na região Niño 3.4 estão atualmente cerca de 2,6°C acima da média de 30 anos. As projeções indicam que o fenômeno pode atingir o pico com anomalia de 3,9°C em novembro, muito acima dos 3°C registrados no episódio de 2015-2016, que foi até hoje o mais intenso do registro moderno.

O meteorologista Luiz Nachtigall, da MetSul, publicou nesta semana uma avaliação direta sobre o cenário: segundo estudo da ETH Zurique, os modelos climáticos podem estar subestimando a resposta do planeta ao aumento de gases de efeito estufa em aproximadamente 25%. Combinado ao El Niño, isso significa que 2027 pode chegar temporariamente a temperaturas equivalentes às que só seriam esperadas por volta de 2037 — como subir um degrau extra numa escada térmica que já está sendo escalada há décadas.

Leia na MetSul: Meteorologista Luiz Nachtigall — El Niño vai turbinar o que já é alarmante

Leia na MetSul: O que um El Niño recorde pode significar para o mundo

O que está acontecendo no Brasil

RS: alerta de chuva de até 300 mm até o fim do mês

A MetSul publicou em 23 de agosto um alerta assinado pela meteorologista Estael Sias: um novo episódio de chuva volumosa deve atingir o Rio Grande do Sul entre os dias 27 e 30 de agosto. Os modelos projetam acumulados entre 100 e 200 mm na maior parte do estado, com pontos do Planalto, Serra e Vale do Taquari podendo registrar até 300 mm no período. O maior risco se concentra nos dias 28, 29 e 30, quando volumes de 50 a 100 mm em poucas horas podem ocorrer em municípios da Metade Norte e Leste, com risco alto de alagamentos, inundações urbanas e elevação de arroios e rios de pequeno porte.

O mecanismo é complexo: uma corrente de jato de baixos níveis traz ar quente do Noroeste, uma frente fria chega na sexta mas fica bloqueada ao norte por um sistema de alta pressão, e uma baixa pressão vinda do Paraguai retroalimenta a instabilidade. O resultado é uma frente que pode ficar semi-estacionária por horas seguidas sobre o Centro e Norte gaúcho.

Leia na MetSul: Episódio de chuva de 300 mm poderá atingir o RS até o fim do mês

Pará decreta alerta climático e ambiental preventivo

O governo do Pará decretou alerta climático e ambiental preventivo em função dos impactos esperados do El Niño no estado. A medida antecipa o risco de seca severa e queimadas na Amazônia paraense, especialmente no segundo semestre. O Amapá também emitiu alertas de estiagem: o Censipam projeta atraso no início das chuvas na região, o que amplia o risco de incêndios e compromete o abastecimento de água em comunidades que dependem de rios e igarapés.

A situação reforça o padrão assimétrico do El Niño no Brasil: enquanto o Sul enfrenta excesso de chuva e temporais, o Norte e Nordeste enfrentam seca que piora a cada semana.

El Niño vai encarecer seus alimentos

Preços dos alimentos podem subir até 20% nos próximos meses

O El Niño está pressionando os preços dos alimentos no Brasil e no mundo. Economistas projetam que o fenômeno pode encarecer itens do carrinho em até 20% nos próximos meses, com impacto direto na inflação. O mecanismo é duplo: a seca no Centro-Oeste e no Nordeste compromete a safra de grãos, oleaginosas e proteína animal; o excesso de chuva no Sul provoca perdas pontuais na produção de hortifrúti, gado e grãos de inverno.

Os produtos mais vulneráveis são os que compõem a base da alimentação brasileira: soja, milho, trigo, café, cana-de-açúcar, carne bovina e frango. Quando a seca atinge as regiões produtoras do Cerrado e do Matopiba, os custos de produção sobem ao longo de toda a cadeia — dos insumos ao transporte, até o preço final na gôndola.

Para empresas, isso significa pressão de custos em toda a cadeia de fornecimento, especialmente para os setores de alimentos e bebidas, varejo alimentar, frigoríficos, cooperativas e agronegócio. Empresas que não têm seu programa de seguros calibrado para interrupção de cadeia e dano patrimonial em períodos de seca ou excesso de chuva podem absorver perdas que vão muito além da alta do preço da soja.

Leia no G1: El Niño pode encarecer alimentos em até 20%; economistas preveem impacto na inflação

Leia no G1: Como o Super El Niño pode afetar a economia global e fazer subir os preços dos alimentos

Nepal: inundação catastrófica destrói vilarejos no Himalaia

Uma parede de lama varreu comunidades inteiras em minutos

Na manhã desta quarta-feira, 26 de agosto, uma inundação repentina de grandes proporções avançou pelo rio Bhote Koshi, no distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, próximo à fronteira com a China. A correnteza destruiu casas, pontes, estradas e instalações de geração de energia. Ao menos 8 mortos foram confirmados pelas autoridades nepalesas. Cerca de 384 pessoas estão desaparecidas, incluindo 291 turistas estrangeiros. O Exército do Nepal mobilizou helicópteros e equipes de resgate. As imagens divulgadas lembram, segundo a MetSul, as tragédias de Brumadinho e Mariana — não pelo mecanismo, mas pela dimensão da destruição em vale montanhoso e pelo colapso sem tempo de reação.

O que causou o desastre: o fenômeno GLOF

A causa ainda está sendo investigada, mas especialistas do ICIMOD consideram a hipótese de um GLOF — Glacial Lake Outburst Flood, inundação provocada pelo rompimento súbito de um lago glacial.

Um GLOF acontece quando grandes volumes de água acumulados em lagos formados pelo derretimento de geleiras são liberados de forma repentina. No Himalaia, esses lagos são contidos por morainas — depósitos instáveis de pedras e sedimentos deixados pelas próprias geleiras. Quando a barreira cede, a água armazenada durante meses ou anos pode ser liberada em minutos. A enxurrada desce pelos vales carregando lama, pedras, gelo e detritos, destruindo tudo a jusante antes que qualquer alerta seja possível.

O aquecimento global amplia esse risco diretamente: o recuo acelerado das geleiras expande os lagos glaciais, aumentando o volume disponível para um rompimento. No Nepal, na Índia e no Butão, os GLOFs já provocaram alguns dos episódios mais destrutivos dos últimos 30 anos.

Leia na MetSul: Inundação repentina catastrófica no Nepal

Leia na MetSul: Saiba o que é GLOF e por que pode ter causado a catástrofe no Nepal

Leia na MetSul: Cenas do desastre no Nepal recordam tragédias de Brumadinho e Mariana

Radar de Riscos

1. Chance de Super El Niño histórico supera 90% (NOAA / G1, 13/08/2026)

A probabilidade de o El Niño atingir a categoria "muito forte" entre outubro e dezembro passou de 90%. O pico ainda não chegou. O que isso significa para quem gerencia risco: empresas que ainda não revisaram coberturas climáticas estão operando com parâmetros que não refletem a intensidade do ciclo atual. A janela técnica para adequação de apólice está diminuindo a cada semana.

2. RS com alerta de até 300 mm até o fim do mês (MetSul Meteorologia / Estael Sias, 23/08/2026)

Episódio de chuva volumosa projetado para os dias 27 a 30 de agosto, com acumulados de até 300 mm em pontos do Planalto e Serra gaúcha. O que isso significa: as bacias do Taquari-Antas, Caí, Jacuí e Sinos estão no mapa de risco do evento. Empresas com operações nessas bacias precisam ter plano de contingência ativo — não em construção.

3. Alimentos podem encarecer até 20% (G1 / Fantástico, 18-23/08/2026)

Economistas projetam impacto inflacionário direto nos próximos meses pela combinação de seca no Centro-Oeste e chuva excessiva no Sul. O que isso significa: para empresas dos setores alimentício, frigorífico, varejo e agronegócio, a pressão de custo de insumos pode afetar fluxo de caixa e margens. Lucros Cessantes e cobertura de cadeia de fornecimento são os produtos mais relevantes para esse perfil de risco agora.

4. GLOF no Nepal — o risco que o aquecimento amplifica (MetSul / AFP, 26/08/2026)

Uma inundação por rompimento de lago glacial destruiu vilarejos no Himalaia em minutos, com ao menos 8 mortos e 384 desaparecidos. O que isso significa: GLOFs têm a menor janela de alerta de todos os eventos climáticos extremos. O recuo das geleiras causado pelo aquecimento global aumenta diretamente o número e o volume dos lagos em risco. O Nepal de hoje é o espelho do que acontece quando risco climático e falta de preparação se encontram.

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Aqui na REP

A gravação do REP Talks | Super El Niño 2026, realizado em 8 de julho com mais de 200 participantes, segue disponível. A chance de 90% de Super El Niño histórico, o alerta de 300 mm no RS ainda em agosto e a catástrofe no Nepal hoje são exatamente o tipo de evento que a Estael Sias descreveu ao vivo: o pico ainda não chegou.

Assistir à gravação