O El Niño de 2026 atingiu a marca de Super El Niño na segunda semana de julho, segundo a MetSul Meteorologia. É a primeira vez na história do registro climático moderno que esse patamar de anomalia de temperatura foi atingido tão cedo no ano. Nos episódios anteriores, como o de 1997, o mesmo limiar só foi superado em setembro. Em 2026, chegamos lá em meados de julho.
Isso não é um detalhe técnico. Significa que o fenômeno ainda tem meses de intensificação pela frente antes de atingir o pico previsto entre outubro e dezembro. E os efeitos já chegaram.
Nesta edição do REP Box, reunimos tudo o que aconteceu nos últimos dias no Sul do Brasil e no continente, mais a previsão região por região para as próximas semanas.
El Niño: o que está acontecendo agora?
O El Niño se acelerou. A MetSul publicou em 17 de julho que o fenômeno será "turbinado a níveis históricos" nos próximos meses. A razão é técnica: episódios repetidos de ventos de Oeste sobre o Pacífico equatorial continuam empurrando água quente em direção à América do Sul. Esse mecanismo gera as chamadas ondas de Kelvin oceânicas, que transportam calor abaixo da superfície do mar e impedem o resfriamento natural das águas. Resultado: o El Niño não está perdendo força, está ganhando. O modelo europeu projeta anomalias de +3°C a +4°C no pico, o que faria deste o episódio mais intenso desde o início das medições no século 19, segundo análise da MetSul.
O Sul do Brasil já sente
Entre 19 e 21 de julho, o Rio Grande do Sul registrou 177.134 raios em apenas 24 horas, segundo levantamento da MetSul com dados do satélite GOES-19. Quase 50 municípios gaúchos acumularam danos por chuva e vento desde o fim de semana: destelhamentos, queda de árvores, alagamentos de hospital em Santa Maria e Bagé, bloqueio de rodovias e corte de energia elétrica para milhares de consumidores. Nesta terça-feira (21), granizo de tamanho médio a grande atingiu o Vale do Rio Pardo, com pedras comparadas a ovos em alguns pontos. Porto Alegre acumulou 50 mm de chuva em menos de 48 horas, e a previsão indica que o total pode chegar a 100-150 mm até quarta-feira, volume equivalente a quase toda a média histórica do mês de julho.
O continente também acende o alerta
O Chile decretou estado de catástrofe após um rio atmosférico trazer a maior tempestade em 20 anos ao país. Cinco mortos, quatro desaparecidos, 100 mil pessoas isoladas, mais de 1.100 imóveis destruídos e até 250 mil consumidores sem energia elétrica em alguns momentos. Em regiões do deserto do Atacama, choveu em uma hora o equivalente a um mês inteiro. O episódio chileno não é um evento isolado: é o mesmo padrão de umidade excessiva na atmosfera que a Estael Sias descreveu no REP Talks, ampliado pelo aquecimento dos oceanos.

O que vem pela frente?
Segundo a MetSul, os impactos tendem a se intensificar da segunda metade do inverno até a primavera. SC e PR, que foram menos atingidos que o RS em 2024, entram agora como áreas de risco igual ou superior. O padrão esperado: temporais de granizo e vendavais cada vez mais frequentes, alguns com tornados e microexplosões, além de cheias de rios em múltiplos episódios.
Previsão sobre El Niño por região do Brasil
Baseado na análise da MetSul Meteorologia publicada em 20 de julho de 2026.

Previsão El Niño: Sul (RS, SC, PR)
Semana de instabilidade até quarta-feira por frente semi-estacionária que se converterá em frente fria. Maiores acumulados no RS e parte de SC, com risco de alagamentos, transbordamento de córregos e arroios, especialmente nas zonas Sul, Leste e Norte de Porto Alegre. Paraná também com volumes acima da média. → Leia a análise completa na MetSul
Previsão El Niño: Sudeste (SP, MG, RJ)
Frente fria traz chuva concentrada em São Paulo, Centro-Sul de Minas e Rio de Janeiro ainda esta semana. Demais áreas com precipitação escassa. Alerta para volumes intensos em curtos intervalos em São Paulo.
Previsão El Niño: Centro-Oeste
Chuva escassa na maior parte da região nesta semana, como é comum em julho, com exceção de Mato Grosso do Sul e extremo Sul de Goiás pela passagem de frente fria. Essa janela seca é temporária: a partir de novembro o padrão se inverte, com seca severa e ondas de calor no Matopiba, GO e TO.
Previsão El Niño: Norte e Nordeste
Chuva baixa ou escassa no Nordeste, com exceção dos litorais da Paraíba e do Rio Grande do Norte, onde os volumes tendem a ser mais significativos. Na Amazônia, precipitação pontual em partes do Amazonas e Roraima, sem volumes expressivos.
Radar de Riscos
1. El Niño já é Super El Niño (MetSul Meteorologia, 17/07/2026)
O índice ONI da NOAA registrou anomalia de +2,0°C na região Niño 3.4 do Pacífico, marcando oficialmente o início do Super El Niño. É a antecipação mais precoce desse patamar desde o início das medições modernas. O que isso significa para quem gerencia risco: o fenômeno ainda vai se intensificar por pelo menos mais três meses. Empresas que revisarem coberturas agora têm margem técnica para adequar apólices antes do pico. Quem esperar o sinistro já chegou tarde.
2. 49 cidades gaúchas com danos em um único evento (MetSul Meteorologia, 20/07/2026)
Chuva e vento desde o fim de semana causaram danos documentados pela Defesa Civil em 49 municípios do RS, com estragos em residências, escolas, prédios públicos, rodovias e redes elétricas. O que isso significa: um único evento climático de inverno, antes do pico do El Niño, gerou sinistros simultâneos em praticamente todas as regiões do estado. A dispersão geográfica dos danos é exatamente o padrão que sobrecarrega as reguladoras de sinistro e alongaos prazos de indenização.
3. Chile decreta catástrofe por rio atmosférico (MetSul Meteorologia, 20/07/2026)
A maior tempestade em 20 anos no Chile destruiu mais de 1.100 imóveis e isolou 100 mil pessoas. O mecanismo é o mesmo que ameaça o Sul do Brasil: umidade excessiva na atmosfera convertida em precipitação extrema. O que isso significa: o que aconteceu no Atacama é um ensaio do que acontece quando eventos de pluviosidade atingem regiões sem infraestrutura de drenagem dimensionada para esse volume. No Brasil, a analogia mais direta são cidades do interior gaúcho às margens de arroios e rios de pequeno porte.
Leia também
O que o REP Talks revelou sobre gestão de riscos no Super El Niño 2026. Quatro especialistas. Uma conclusão: ter seguro não é a mesma coisa que estar protegido. O artigo traz os principais pontos do evento com Estael Sias (MetSul), Ana Paula Andriolli (Copel) e Marcos Araujo (Addvalora).
→ Leia no blog da REP
Quais seguros sua empresa precisa ter em 2026 diante do Super El Niño. Property, Lucros Cessantes, Frota, Agro, RC Ambiental. O guia prático por cobertura e por região, com a lógica da Pirâmide de Proteção Empresarial.
→ Leia no blog da REP
Aqui na REP
O REP Talks | Super El Niño 2026 aconteceu em 8 de julho com mais de 200 participantes. Foi o primeiro evento corporativo do setor de seguros no Brasil com foco exclusivo nos impactos do El Niño para empresas. A gravação está disponível. Se você ainda não assistiu, vale 90 minutos.
→ Assistir à gravação



