Crescer aumenta o patrimônio da empresa, mas também aumenta aquilo que ela pode perder. O problema é que essas duas curvas raramente evoluem na mesma velocidade. Enquanto fábricas são ampliadas, máquinas são substituídas, estoques aumentam e novos contratos elevam a exposição financeira da operação, muitas apólices patrimoniais permanecem praticamente inalteradas por anos, recebendo apenas atualizações monetárias que pouco refletem a realidade do negócio.
Essa diferença costuma permanecer invisível até que um incêndio, uma explosão, um evento climático extremo ou outro sinistro relevante interrompa a operação. É nesse momento que muitas empresas descobrem que o patrimônio reconstruído pela indenização é significativamente menor do que o patrimônio necessário para retomar suas atividades. O prejuízo não nasce apenas do evento. Ele começa quando a cobertura deixa de acompanhar a evolução da empresa.
A cena se tornou mais frequente nos últimos anos. Operações industriais cresceram, cadeias logísticas ficaram mais complexas, eventos climáticos passaram a gerar perdas cada vez mais severas e grandes contratos passaram a exigir estruturas patrimoniais mais robustas. Ao mesmo tempo, muitas organizações continuam dimensionando o seguro com base no valor histórico dos ativos, e não no custo real de reconstrução da operação. É justamente dessa diferença que surge o Gap Patrimonial, a distância entre o patrimônio que sustenta o negócio e o patrimônio efetivamente protegido pela apólice.
Neste artigo, você vai entender como o patrimônio empresarial mudou de composição, quais riscos realmente ameaçam a continuidade da operação, por que o subseguro continua sendo um dos principais problemas das empresas brasileiras, e como estruturar um programa de seguro patrimonial alinhado à realidade atual do negócio.
Como o patrimônio empresarial mudou de composição?
Um exercício simples ilustra o Gap Patrimonial em qualquer empresa. O CFO abre a apólice patrimonial vigente, olha o valor total segurado, e tenta responder três perguntas antes de conferir qualquer documento. Qual é o valor de reposição atualizado da edificação. Qual é o valor de reposição do maquinário produtivo. Qual é o valor médio do estoque em rotação. Se ele hesita em qualquer uma dessas três respostas, a apólice está desalinhada.
A maioria dos gestores financeiros conhece o valor contábil da empresa, mas poucos conseguem responder qual seria o custo real para reconstruir a operação caso ela fosse interrompida hoje. Máquinas, edificações, estoques, equipamentos, instalações elétricas e ativos críticos mudam continuamente. A apólice, muitas vezes, permanece praticamente igual por anos. É dessa diferença que nasce o Gap Patrimonial.
O patrimônio deixou de ser só edificação e maquinário
O patrimônio empresarial brasileiro, mesmo em setores tradicionais como indústria e logística, ganhou dimensões novas nos últimos anos. A edificação e o maquinário continuam sendo a base, mas o valor total segurável se distribui hoje em cinco camadas: prédio e instalações fixas, maquinário e equipamento produtivo, mobiliário e ativos operacionais, estoque de matéria-prima e produto acabado, e valores em cofre ou em trânsito.
Cada camada tem lógica própria de avaliação, prazo próprio de reposição e risco próprio de manifestação. A empresa que estrutura apólice patrimonial olhando só para o valor contábil da edificação está subestimando o próprio balanço.
Considere um exemplo típico. Uma indústria de médio porte tem edificação avaliada em R$ 8 milhões, maquinário produtivo em R$ 12 milhões, estoque médio em R$ 6 milhões e ativos operacionais adicionais em R$ 2 milhões. O patrimônio total segurável passa de R$ 28 milhões. Quando o CFO dessa empresa abre a apólice contratada anos atrás e nunca revisada, frequentemente encontra cobertura calibrada só para a edificação. Os outros R$ 20 milhões viraram custo próprio no dia do sinistro.
Os riscos climáticos mudaram
O ambiente climático brasileiro em 2026 opera sob combinação de fatores que amplia a exposição patrimonial de forma estrutural. O Brasil registrou nos últimos anos eventos de escala extrema com impacto documentado sobre patrimônio empresarial. As enchentes históricas no Rio Grande do Sul em 2024 geraram danos totais estimados em R$ 88,9 bilhões segundo levantamento consolidado por BID, Cepal e Banco Mundial. Já eventos hidrológicos em número recorde foram registrados ao longo do território nacional, com 1.493 ocorrências em 2025 pelo Cemaden. E ainda, a Susep classificou o Brasil em posição desfavorável entre 14 países comparados em relação à proteção contra catástrofes, com gap estimado em 93%.
Cada um desses dados se materializou em sinistros que empresas brasileiras enfrentaram nos últimos ciclos. Para o CFO que opera indústria em região com histórico climático relevante, a pergunta deixou de ser se o evento acontece. Passou a ser quando.
Os contratos mudaram
É cada vez mais comum que contratos de fornecimento, operações industriais e grandes clientes corporativos estabeleçam exigências mínimas de cobertura patrimonial como condição para contratação ou manutenção do relacionamento comercial. Empresas de logística que operam para varejo de grande porte, indústrias que fornecem para montadoras, prestadores que operam em ambiente de cliente crítico, cada uma dessas configurações costuma incluir cláusula patrimonial no anexo de compliance do contrato.
Isso significa que o CFO deixou de decidir sobre apólice patrimonial apenas por lógica interna. A decisão passou a envolver requisito contratual que precisa ser demonstrado antes da assinatura do contrato B2B, e o descumprimento superveniente pode configurar quebra contratual autônoma, além da exposição direta ao dano patrimonial em si.
Cresceu mais rápido do que a apólice
O crescimento operacional de empresas que se recuperaram do ciclo pandêmico e se estruturaram em novos patamares de faturamento gerou expansão de patrimônio em ritmo estruturalmente mais rápido do que a revisão contratual das apólices vigentes. Ampliação de galpão, aquisição de equipamento, incorporação de linha de produto, aumento de estoque médio, cada uma dessas movimentações amplia o patrimônio segurável e raramente é acompanhada por revisão simultânea da cobertura.
A empresa cresceu 40%. A apólice cresceu 12%. O Gap Patrimonial de 28 pontos percentuais virou dado material do balanço que ninguém está enxergando.
Cinco riscos que efetivamente ameaçam o patrimônio empresarial
Risco 1: incêndio e dano acidental à edificação e ao conteúdo
Este continua sendo o risco mais frequente do programa patrimonial e o mais consolidado tecnicamente. Imagine as seguintes situações típicas. Um curto-circuito em painel elétrico durante madrugada causa incêndio que consome parcela relevante do galpão logístico. Já uma falha em equipamento de refrigeração industrial gera incêndio secundário que se propaga para linha produtiva vizinha. E ainda, uma operação de manutenção terceirizada realizada com solda em ambiente com material inflamável não devidamente isolado gera evento que compromete a estrutura da edificação.
Cada uma dessas situações materializa dano patrimonial de valor tipicamente elevado, e o valor em jogo é sempre o custo de reposição atualizado dos ativos afetados, não o valor contábil histórico. É aqui que o Gap Patrimonial aparece com força mais direta: quando a indenização paga cobre 60% do valor de reposição do ativo destruído, o CFO fecha o ano com 40% de custo próprio que não estava no orçamento.
Modalidades específicas do mercado brasileiro cobrem esse risco em três formatos. Riscos Nomeados cobre eventos especificamente listados no contrato. All Risks (riscos operacionais) cobre todos os eventos súbitos e imprevistos, exceto os explicitamente excluídos. Empresas de porte industrial e logístico brasileiras têm migrado progressivamente para All Risks nos últimos anos, com escopo mais amplo e menor probabilidade de descoberta de exclusão relevante no sinistro.
Risco 2: evento climático severo com impacto patrimonial
A exposição climática deixou de ser evento excepcional e virou variável estrutural do programa patrimonial. Empresas em regiões costeiras enfrentam risco de ressaca e alagamento. Já operações em áreas próximas a bacias hidrográficas convivem com histórico de enchente. E ainda, indústrias em regiões de estresse térmico enfrentam risco de dano por sobrecarga em equipamento sensível.
O gap entre o dano total e o valor efetivamente indenizado no mercado brasileiro é significativo. Segundo levantamento da CNseg sobre as enchentes do Rio Grande do Sul em 2024, o mercado segurador pagou R$ 6 bilhões em sinistros, frente aos R$ 88,9 bilhões de dano total documentado por BID, Cepal e Banco Mundial. Essa distância é o que o mercado brasileiro chama de gap de proteção climática, e ele opera contra empresas em regiões de exposição sem cobertura calibrada.
Cobertura para eventos climáticos específicos pode aparecer como cláusulas adicionais na apólice, ou como parte do escopo padrão All Risks, dependendo do desenho contratual. A verificação explícita dessa camada é etapa crítica da contratação, especialmente para operações em regiões com histórico setorial de eventos.
Risco 3: interrupção de operação com perda de faturamento
Aqui está o risco que empresas de médio porte mais frequentemente subestimam. O sinistro patrimonial não termina quando o evento físico é contido. Ele continua durante todo o período de paralisação da operação, quando a empresa mantém custos fixos (folha, aluguel, impostos, contratos de serviço) sem faturamento correspondente para cobri-los.
A reposição do ativo destruído não mantém a empresa viva durante a paralisação. É o Lucros Cessantes que faz isso.
Voltando ao CFO da indústria do exemplo anterior, a linha produtiva principal sofre incêndio parcial. O dano ao equipamento pode ser calculado em R$ 3 milhões. O tempo estimado de reposição do equipamento importado, dependendo do porte, pode chegar a seis meses. Durante esses seis meses, a empresa mantém folha, aluguel, impostos e contratos ativos, mas produz volume muito reduzido. O dano por interrupção nesse período pode facilmente superar R$ 5 milhões, sem contar a recuperação de posição de mercado perdida durante a ausência.
A cobertura de Lucros Cessantes é a camada da apólice patrimonial que responde a esse risco. Ela cobre a perda de faturamento durante o período de paralisação, os custos fixos que continuam correndo, e frequentemente inclui cobertura para despesas extras de mitigação. Programas patrimoniais que contratam Lucros Cessantes com sublimite simbólico ou com período de indenização curto ficam estruturalmente descobertos exatamente na dimensão mais volumosa do sinistro. É a segunda camada do Gap Patrimonial se materializando.
Risco 4: roubo, furto e dano por terceiro
Operações com estoque relevante, valores em movimento ou ativos de alto valor unitário enfrentam risco patrimonial adicional que se manifesta em três frentes principais. A primeira é o roubo de estoque em galpão, com invasão física do perímetro. Já a segunda frente é o roubo de carga em trânsito, tratado tipicamente por seguro de transportes, mas com componente patrimonial em operações que armazenam carga própria. E ainda, a terceira frente aparece em dano ao ativo causado por terceiro em contexto operacional, como colisão de veículo em fachada, dano em equipamento por prestador terceirizado ou vandalismo em unidade.
Cada uma dessas frentes tem cobertura específica na apólice patrimonial, com sublimites e franquias próprias que precisam ser calibrados ao perfil real de exposição da operação. Empresas em regiões com histórico setorial de roubo em determinada modalidade precisam calibrar a apólice com atenção especial, sob risco de descobrir tardiamente que o sublimite contratado é simbólico frente ao valor típico do evento.
Risco 5: dano indireto por incidente em fornecedor ou cliente crítico
Este é o risco mais recente em relevância no mercado brasileiro, e o mais frequentemente descoberto pelas empresas. Uma operação bem protegida no próprio perímetro pode sofrer paralisação por evento em fornecedor crítico. Uma indústria que depende de matéria-prima importada por porto específico pode enfrentar dias ou semanas de paralisação por incidente que ela não causou nem podia prevenir. Já uma rede varejista pode enfrentar ruptura de abastecimento por incêndio em centro de distribuição terceirizado.
A cobertura de contingent business interruption (interrupção contingente de negócios) é a camada específica da apólice patrimonial que responde a esse risco. Ela cobre a paralisação da operação segurada em decorrência de evento em fornecedor ou cliente crítico contratualmente identificado, com valor de indenização calculado pelo mesmo padrão do Lucros Cessantes. Nem toda apólice patrimonial padrão do mercado brasileiro inclui essa camada como parte do escopo original. Ela costuma exigir contratação específica, com identificação dos fornecedores críticos que ficam cobertos e verificação do perfil operacional deles.
Como fechar o gap patrimonial antes do sinistro?
Aqui está o ponto que separa empresa madura de operação improvisada. Seguro não é gestão de risco patrimonial. Seguro é a última camada, quando a gestão encontra seus limites. Empresas que estruturam programa patrimonial competente fazem três diagnósticos técnicos antes de qualquer conversa sobre apólice, e cada um deles ataca uma dimensão específica do Gap Patrimonial.
Diagnóstico 1: avaliação patrimonial atualizada
Toda apólice patrimonial parte de um valor. Se o valor estiver errado, tudo o que vem depois estará errado. Avaliação patrimonial atualizada significa levantamento técnico do valor de reposição atual dos cinco componentes do patrimônio empresarial: edificação e instalações fixas, maquinário e equipamento produtivo, mobiliário e ativos operacionais, estoque médio em rotação, valores em cofre ou em trânsito.
Muitas empresas nunca fizeram avaliação patrimonial formal, ou fizeram há muitos anos e nunca atualizaram. O contador registra o valor contábil histórico, mas o valor contábil não é o valor de reposição. Uma edificação industrial construída há dez anos tem valor contábil depreciado, mas o custo de reposição a preços de 2026 pode ser significativamente superior. É a primeira dimensão do Gap Patrimonial, e ela se fecha com avaliação técnica atualizada.
Diagnóstico 2: mapeamento de dependências operacionais
Avaliar o patrimônio próprio é etapa necessária, mas não suficiente. Empresas maduras mapeiam também as dependências operacionais que ampliam a exposição patrimonial indireta. Quais fornecedores são críticos ao ponto de sua paralisação parar a operação em janela curta. Quais clientes representam concentração de receita que compromete o balanço caso interrompam contratos. Quais infraestruturas externas (portos, aeroportos, rodovias específicas, redes de energia ou telecomunicações) são condição de operação normal.
Cada dependência mapeada gera decisão sobre cobertura complementar (contingent business interruption, seguro de crédito, seguros específicos de cadeia) ou sobre mitigação operacional (diversificação de fornecedor, redundância de logística, plano de continuidade estruturado). É a segunda dimensão do Gap Patrimonial se fechando.
Diagnóstico 3: exposição climática e geográfica
O terceiro diagnóstico é o de exposição climática e geográfica da localização física da operação. Operações em regiões de risco hidrológico documentado, em áreas sujeitas a estresse térmico, em zonas costeiras com histórico de eventos extremos, em regiões próximas a áreas de proteção ambiental com risco de queimada, cada uma dessas configurações amplia a exposição patrimonial de forma específica.
Empresas que operam sob esse tipo de exposição precisam calibrar a apólice com atenção adicional às cláusulas de evento climático, aos sublimites por tipo de evento, ao período de carência (waiting period) que algumas apólices aplicam a determinadas modalidades de sinistro climático, e à cauda temporal de eventos que se manifestam em cascata (enchente que gera dano estrutural, que gera paralisação, que gera perda de faturamento).
Feitos os três diagnósticos, o CFO passa a operar com um mapa claro do próprio patrimônio, das dependências que o cercam, e das exposições que a região onde a operação está instalada apresenta. Só então a conversa sobre apólice faz sentido técnico.
Arquitetura do Patrimônio Segurado
Feitos os diagnósticos, o programa patrimonial se materializa em uma arquitetura de camadas que a REP chama de Arquitetura do Patrimônio Segurado. Da mesma forma que um engenheiro projeta a estrutura de uma edificação em camadas que respondem a solicitações específicas (fundação, estrutura, vedação, instalações, acabamento), o programa patrimonial de uma empresa se projeta em camadas que respondem a dimensões específicas do risco patrimonial.
Cinco camadas centrais compõem a Arquitetura do Patrimônio Segurado, cada uma respondendo a um dos cinco riscos mapeados na Parte 2. Cada camada, quando bem dimensionada, fecha uma dimensão específica do Gap Patrimonial.
Camada 1: cobertura básica de danos materiais
A cobertura básica responde ao dano físico direto sobre edificação, conteúdo, maquinário, estoque e ativos operacionais em decorrência de eventos súbitos e imprevistos. É o núcleo do programa patrimonial em qualquer operação. A escolha entre modalidade de Riscos Nomeados e modalidade All Risks depende do perfil da operação, do apetite ao risco e do custo relativo.
Camada 2: cobertura de Lucros Cessantes
Esta é a camada que responde ao risco de interrupção de operação com perda de faturamento. Cobre a perda de faturamento durante o período de paralisação, os custos fixos que continuam correndo mesmo com operação parada, e frequentemente inclui cobertura para despesas extras de mitigação da paralisação.
Programa patrimonial sem Lucros Cessantes bem dimensionado responde à metade do sinistro e deixa a outra metade descoberta. O dimensionamento correto do Lucros Cessantes parte da análise da margem operacional da empresa, do prazo realista de reposição do ativo em cenário de dano estrutural, e do período de indenização contratualmente coberto. Períodos de indenização curtos (12 meses ou menos) frequentemente ficam estruturalmente insuficientes para eventos severos com equipamento importado ou com licenciamento regulatório envolvido na reconstrução.
Camada 3: cobertura de riscos específicos
Aqui entram os riscos que exigem cláusulas adicionais além do escopo padrão. Cobertura de fenômenos naturais e climáticos específicos, com atenção a eventos hidrológicos, tempestades severas, granizo e demais fenômenos de exposição estrutural. Cobertura de dano elétrico, especialmente relevante em operações com equipamento sensível a variação de tensão. Cobertura de roubo em modalidades específicas. Cobertura de equipamentos móveis e ativos fora do estabelecimento.
Cada uma dessas coberturas específicas tem lógica de contratação própria, com sublimites e franquias que precisam ser calibrados ao perfil real da operação. A verificação explícita de cada uma na apólice contratada é etapa fundamental, sob risco de descobrir tardiamente que uma dimensão específica de exposição não estava incluída no escopo original.
Camada 4: cobertura de exposição indireta
A cobertura de exposição indireta responde ao risco de dano patrimonial por evento em fornecedor ou cliente crítico. Contingent business interruption cobre a paralisação da operação segurada em decorrência de evento em fornecedor ou cliente contratualmente identificado. Cobertura de danos em trânsito responde ao dano patrimonial durante movimentação de ativos entre unidades ou de/para clientes. Cobertura de infraestrutura externa aparece em contextos específicos com histórico setorial.
Nem toda apólice patrimonial padrão inclui essa camada como parte do escopo original. Ela costuma exigir contratação explícita, com identificação dos fornecedores críticos que ficam cobertos e verificação do perfil operacional deles.
Camada 5: cobertura complementar de valores e ativos específicos
A quinta camada cobre ativos que exigem tratamento próprio dentro do programa patrimonial. Valores em cofre e em trânsito, tipicamente cobertos por cláusula ou apólice complementar de riscos diversos. Ativos de alto valor unitário que exigem avaliação e cobertura específicas. Obras de arte, equipamentos de precisão, itens de coleção. Ativos em consignação ou em posse de terceiros. Cada uma dessas categorias tem lógica de contratação própria, com dimensionamento específico ao perfil do ativo em questão.
FAQ: perguntas que executivos fazem sobre seguro patrimonial
O que o seguro patrimonial cobre exatamente?
O seguro patrimonial cobre danos materiais ao patrimônio empresarial em decorrência de eventos súbitos e imprevistos, com cinco camadas típicas de proteção: danos materiais à edificação e ao conteúdo, perda de faturamento por interrupção de operação (Lucros Cessantes), riscos específicos como fenômenos climáticos, roubo e dano elétrico, exposição indireta por evento em fornecedor ou cliente crítico, e valores e ativos específicos com tratamento próprio. O escopo exato varia conforme o desenho contratual e a modalidade escolhida.
Qual a diferença entre seguro patrimonial e seguro property?
São nomes diferentes para o mesmo produto. Seguro patrimonial é a nomenclatura tradicional brasileira, usada por corretoras e seguradoras há décadas em contratos com empresas industriais, logísticas e comerciais. Seguro property é a nomenclatura internacional, herdada do mercado americano, adotada gradualmente no Brasil especialmente em contratos com empresas de porte maior ou com componente internacional. O escopo técnico e a estrutura contratual são substancialmente idênticos entre uma apólice denominada patrimonial e uma denominada property na mesma seguradora.
Como calcular o valor do seguro patrimonial da minha empresa?
O valor da apólice patrimonial parte da avaliação atualizada do valor de reposição dos cinco componentes do patrimônio empresarial: edificação, maquinário, mobiliário e ativos operacionais, estoque médio, e valores em cofre ou em trânsito. Valor contábil histórico registrado no balanço não é o valor de reposição. Avaliação patrimonial formal, atualizada em ciclos regulares, é etapa fundamental da contratação bem feita. Empresas que dimensionam a apólice pelo valor contábil frequentemente descobrem subseguro no sinistro.
O que é subseguro em apólice patrimonial?
Subseguro ocorre quando o valor segurado contratado é inferior ao valor de reposição real do patrimônio no momento do sinistro. Nessa situação, a apólice aplica cláusula de rateio, que reduz a indenização proporcionalmente à distância entre o valor segurado e o valor real. Uma empresa com patrimônio real de R$ 20 milhões que segurou por R$ 12 milhões, em sinistro parcial de R$ 4 milhões, recebe indenização proporcional (60% dos R$ 4 milhões, ou R$ 2,4 milhões), com R$ 1,6 milhão como custo próprio. Subseguro é o motivo mais comum de frustração com indenização em sinistro patrimonial no mercado brasileiro, e é a manifestação mais direta do Gap Patrimonial.
Seguro patrimonial cobre enchente?
Depende do desenho contratual específico. Apólices na modalidade All Risks tipicamente incluem eventos climáticos hidrológicos como parte do escopo padrão, exceto quando explicitamente excluídos. Apólices na modalidade Riscos Nomeados exigem que enchente esteja explicitamente listada entre os eventos cobertos, o que nem sempre aparece no escopo básico e frequentemente exige cláusula adicional. Empresas em regiões de exposição hidrológica precisam verificar explicitamente essa cobertura, com atenção ao sublimite específico, à franquia aplicável e ao período de carência que algumas apólices aplicam a eventos climáticos.
Vale a pena contratar seguro patrimonial pela corretora ou direto na seguradora?
Contratação direta na seguradora funciona para produtos padronizados e operações de perfil simples. Programa patrimonial de médio e grande porte, com múltiplas camadas, dimensionamento por valor de reposição atualizado, cobertura de Lucros Cessantes, exposição indireta e riscos específicos, exige customização técnica que a seguradora não desenha sozinha. Corretora consultiva realiza os três diagnósticos técnicos que antecedem a contratação, calibra a apólice ao perfil real da operação, e opera revisão periódica em ciclos curtos.
Quanto custa o seguro patrimonial de uma empresa?
Prêmio da apólice patrimonial depende de múltiplos fatores: valor total segurado, modalidade contratada (Riscos Nomeados ou All Risks), sublimites por cobertura específica, franquias aplicáveis, sinistralidade histórica da operação, perfil setorial, localização geográfica com atenção a exposição climática, e desenho específico das camadas complementares. Como referência genérica não é útil para o dimensionamento correto, a cotação técnica realizada por corretora consultiva reflete o perfil real da operação em questão.
O que separa um patrimônio protegido de um patrimônio exposto
O CFO que abriu a apólice no início deste artigo tem duas trajetórias possíveis à frente.
→A empresa protegida atualizou a avaliação patrimonial antes de dimensionar a apólice.
A empresa exposta contratou com base no valor contábil e descobriu no sinistro que estava em subseguro.
→A empresa protegida contratou Lucros Cessantes com período de indenização compatível com o prazo real de reposição de equipamento crítico.
A empresa exposta contratou Lucros Cessantes com período curto e descobriu que o dinheiro acabou antes da operação voltar.
→A empresa protegida mapeou dependências de fornecedor crítico e contratou contingent business interruption.
A empresa exposta ficou descoberta quando o evento chegou pela cadeia externa que ela não enxergava.
→A empresa protegida revisou a apólice a cada 12 meses, acompanhando o crescimento operacional.
A empresa exposta renovou mecanicamente com correção monetária e acumulou Gap Patrimonial silencioso até o primeiro sinistro relevante.
Apólices bem estruturadas não impedem o incêndio, a enchente ou o roubo. Impedem que qualquer um deles determine o futuro da empresa. A diferença entre reconhecer o Gap Patrimonial e negá-lo aparece quando o sinistro chega, e raramente sobra tempo para corrigir o desenho contratual depois que ele chegou.
A REP fecha o Gap Patrimonial antes que ele apareça no sinistro
Atuando como especialista em gerenciamento de riscos e consultoria de serviços securitários há 40 anos no mercado brasileiro, a REP Seguros conta com mais de R$ 400 bilhões em patrimônios segurados e presença em mais de 160 países por meio de redes internacionais. Para empresas que precisam estruturar programa patrimonial pela primeira vez ou auditar as apólices vigentes, a REP realiza os três diagnósticos técnicos que dimensionam o Gap Patrimonial atual da operação, aplica a Arquitetura do Patrimônio Segurado no desenho das cinco camadas centrais, e integra o programa às demais linhas do portfólio corporativo conforme o perfil real da operação.



